Há Musica na Igreja | O Concerto

No passado dia 24 houve 'música na Igreja' de Santa Maria de Avioso, foi o 1º Encontro de Música Sacra de Santa Maria, onde tive o privilégio de participar!


Ficam aqui os videos de 10 das músicas interpretadas pelo Grupo Coral, ficando a faltar a primeira. O alinhamento do concerto teve as notas introdutórias, da autoria do Vitor Ferreira, que teve a amabilidade de mas facultar para aqui introduzir, por forma a recontar a história que se presenciou na noite do concerto e que é a seguinte:


Há Música na Igreja

1º Encontro de Música Sacra de Santa Maria

Segundo a definição mais fundamental, a música sacra é considerada "aquela que, criada para o culto Divino, possui qualidades de santidade e de perfeição de forma."

"A Música Sacra, como parte integrante da Liturgia solene, participa do seu fim geral, que é a glória de Deus, a santificação e edificação dos fiéis."

Podemos chamar de “música litúrgica” a Música Sacra que é criada com o fim de integrar a liturgia. A “música litúrgica”, como parte integrante da liturgia e não como um simples adereço estético, deve aumentar a beleza da celebração, que no seu todo é, por excelência, o encontro com Deus. A “música litúrgica” torna-se, assim, o meio comunicativo "mais apto para atingir o contacto com Deus".

Deste modo, a “música litúrgica” deve estar ao serviço do culto litúrgico e dele ser digna, ou seja, deve ser solene, imponente embora simples, o mais digna possível da majestade infinita de Deus, que é para quem se dirige. Se a “música litúrgica” não buscar o sentido da oração e a originar, impede que tenhamos a experiência profunda de Deus.

No encontro de hoje iremos fazer uma viagem ao longo do calendário litúrgico, no qual a comunidade cristã celebra a vida e a obra salvífica de Cristo.

Cada tempo litúrgico é também sinal da presença de Cristo no tempo dos seres humanas.

Nesta viagem pelo calendário litúrgico iremos experimentar como os diversos tempos litúrgicos influenciam a música que cantamos na liturgia ao longo do ano.

O coro, baptizado de “Grupo coral Avé” é constituído por membros dos grupos corais das paróquias de Santa Maria de Avioso, de São Pedro de Avioso e de Gemunde. Conta ainda com a presença de membros do coro de Pais do Conservatório de Música da Maia, e dos coros das paróquias de Barca e Gondim.

O coro será dirigido pelo Vitor Ferreira e acompanhado ao órgão pelo organista Daniel Sousa, que já conta com o seguinte currículo; iniciou os seus estudos em órgão na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos do Porto, onde estudou com António Mário Costa e Tiago Ferreira.


Frequentou o V Curso Nacional de Música Litúrgica na vertente de órgão onde estudou com António Esteireiro.

É licenciado em música, variante órgão, pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML)  onde estudou com João Vaz e António Esteireiro, tendo em Janeiro de 2022, concluído o Mestrado em Ensino de Música na mesma instituição.

Desde outubro de 2015 é organista no Santuário do Sameiro, em Braga.

Entre setembro de 2017 e fevereiro de 2022 foi diretor artístico do Coral Honra e Dever.

Durante o ano de 2020 foi organista na paróquia de S. João Baptista, Vila do Conde.

Foi organista e responsável pela vertente musical da paróquia do Divino Salvador de Modivas até novembro de 2021.

Colabora regularmente com o Coro Infanto-juvenil da paróquia de Santa Eulália de Beiriz, Póvoa de Varzim e com o Coral Ensaio da Escola de Música da Póvoa de Varzim.

Desde dezembro de 2021 é Diretor Musical da paróquia de São José de Ribamar, Póvoa de Varzim.


Tempo do Advento

O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento.

O Advento é um tempo de expectativa, que vivemos num espírito de profunda esperança e alegria, mas também num estado de preparação e penitência. No Advento, a alegria e a penitência tornam-se grandes amigas. A própria liturgia nos insere nessa dinâmica penitencial. Por exemplo, não se canta o “Te Deum” (hino de louvor a Deus) na Liturgia das Horas, o ornamento dos espaços litúrgicos torna-se mais sóbrio, não se entoa o Glória, tendencialmente a música torna-se menos ritmada, mas nem por isso menos alegre.



Padroeira

Quase no final do Advento, uma semana antes do Natal, celebramos a festa de Nossa Senhora da Expectação, Padroeira de Santa Maria de Avioso.

A Senhora da Expectação, também chamada Senhora do Ó, é a devoção mariana pela qual recordamos a Santíssima Virgem Maria que traz em seu seio o Menino Jesus, com grande expectativa e esperança.

Maria, espera o nascimento do Messias, e a expectativa do parto não é simplesmente a ansiedade natural de uma mãe jovem que espera o seu primogênito; é o desejo inspirado e sobrenatural da “bendita entre as mulheres”, que foi escolhida como Mãe do Redentor dos homens.

 

Iremos escutar “Avé, Senhora do Advento”, obra do Padre António Azevedo de Oliveira, que enaltece aquela que traz Deus ao mundo...



Natal

Chegamos então ao Tempo do Natal.

No tempo do Natal celebramos Deus que veio até nós. Celebramos o Emanuel – Deus connosco.

Para os Cristãos, o Natal é um grande acontecimento, que gera em nós um verdadeiro compromisso de fé e de vida. É um tempo de verdadeira alegria, pois o Salvador está entre nós.

 

“O Natal do Senhor não se apresenta a nós como lembrança do passado, mas como visão presente”. Fazemos memória presente do nascimento de Cristo em meio da nossa frágil humanidade. Natal é a festa que celebra a nossa salvação.

Por isso nos alegramos e cantamos cheios de alegria e entusiasmo o nascimento do nosso Salvador. O canto litúrgico durante o tempo de Natal é tendencialmente mais alegre, vibrante, contagiante e ritmado.


Iremos escutar “Exultemos de alegria” do Padre António Cartageno, que demonstra bem a alegria e entusiasmo deste tempo litúrgico...



Santa Maria Mãe de Deus

A oitava do Natal coincide com o Ano Novo no qual celebramos a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus.

Somos convidados a contemplar a figura de Maria, aquela mulher que, com o “sim” ao projeto de Deus, nos ofereceu Jesus, o nosso Salvador.

 

Maria, a mulher que proporcionou o nosso encontro com Jesus, é o modelo do crente que é sensível aos projetos de Deus, que sabe ler os seus sinais na história, que aceita acolher a proposta de Deus no coração e que colabora com Deus na concretização do projeto divino de salvação para o mundo.

 

Escutemos, “Desde toda a eternidade” de Paul Décha e harmonização do Padre Miguel Carneiro.



Quaresma

Após o tempo do Natal temos algumas semanas de «Tempo comum» e de seguida começa o tempo da Quaresma.

Quaresma é tempo de reconciliação. É tempo favorável para, através de diversas formas, renovarmos a nossa fidelidade cristã. É tempo propício para o aprofundamento do desígnio de Deus sobre cada um de nós. É tempo de renunciar e de converter.

Sendo a Quaresma um tempo penitencial forte, somos chamados à conversão, à penitencia e à oração.

A sobriedade litúrgica prevalece. Os espaços litúrgicos tornam-se mais sóbrios, não se entoa o Glória, o canto litúrgico impele-nos à meditação, à conversão e à importância de olharmos para dentro de nós próprios.

 

Vamos ouvir, “Dai-me Senhor um coração puro” do Padre Manuel Luís, onde música e letra trabalham juntas para promover a meditação, a conversão interior e a oração.



Semana Santa e Triduo Pascal

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos e termina com o Tríduo Pascal.

Durante a Semana Santa, também chamada de “Semana Maior”, a Igreja Católica celebra os grandes mistérios da redenção humana.

Começamos a semana a celebrar a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém ao som de gritos de Hossana.

No Tríduo Pascal, em Quinta-feira Santa, vivemos a expressão máxima da frase de Jesus: “Eu vim para servir, não para ser servido” e recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio.

Em Sexta-feira Santa recordamos o dia em que Cristo Se entrega como vítima pela humanidade. A celebração desse dia divide-se em três partes: Liturgia da Palavra com o Evangelho da Paixão; adoração da cruz e a distribuição da sagrada comunhão. Esse é o único dia do ano em que não há Missa.

Passamos do silêncio e recolhimento do sepulcro à alegria maior da Luz de Deus que brilha nas trevas e do triunfo de Jesus sobre a morte na grande Vigília Pascal.

 

Escutemos “Pai, se este cálice” composto por Vitor Ferreira e harmonizado pelo mesmo e pelo Daniel Sousa para a celebração do Domingo de Ramos.



Tempo Pascal

O Tempo Pascal, são os cinquenta dias que se prolongam desde o domingo da Ressurreição até ao domingo do Pentecostes.

Celebram-se na alegria e exultação como um único dia de festa, ou seja, como «um grande Domingo».

O tempo pascal celebra o Ressuscitado. O Deus, feito homem, que morre por nós, mas que ressuscita e nos mostra o caminho da salvação: o Amor!


Iremos escutar “Cristo Ressuscitou”, composto por Jacques Berthie e pelo Padre Joaquim Lavajo. Cântico alegre, dinâmico, imponente e simples ao mesmo tempo que tão bem se enquadra no tempo Pascal.



Maio

No mês de Maio, a Igreja celebra a devoção à Virgem Maria, Mãe de Deus. Durante todo o mês, os cristãos são convidados a olhar com sabedoria e fé para a figura da mulher humilde e escolhida por Deus, que com o seu “SIM”, transformou a história da humanidade.

Nos dias de Maio, os fiéis rezam junto a Nossa Senhora por inúmeras intenções.

O mês de maio é um tempo especial e favorável para rezar o terço, recitar orações especiais e cantar louvores à Virgem.

 

Iremos escutar “Ave, o Theotokos”, do Padre Carlos Silva que tantas vezes se canta nas nossas comunidades, cântico que, de forma tão bela, rezamos a Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja.



Pentecostes

A solenidade de Pentecostes é celebrada 50 dias após a Páscoa. Nesta festa, recorda-se o dom do Espírito Santo, espírito que dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o “Novo Ser Humano”.

A comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado passa a ser uma comunidade viva, recriada e nova, a partir do dom do Espírito. Comunidade que fala uma só língua: a linguagem do Amor.

É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Com o Pentecostes, tem início a Igreja e a sua missão evangelizadora.

 

Iremos escutar “O Espírito do Senhor”, composição do Padre Manuel Luís e harmonização do Padre António Cartageno.



Tempo Comum

O nome «Tempo Comum» – em latim, «tempus per annum» («tempo durante o ano») – não parece muito feliz, pela fácil associação a tempo «pouco importante». Mas esta designação impôs-se como distinção dos chamados «tempos fortes», do ciclo da Páscoa e do Natal.

No entanto, o Tempo Comum tem a sua particular importância. Em rigor é o tempo mais antigo, e que ocupa a maior parte do ano (33 ou 34, das 52 semanas do ano).

Este tempo apresenta valores que não se podem esquecer: ajuda-nos a viver o mistério de Cristo na sua totalidade.

Acompanha-nos na tarefa de crescimento e maturação de tudo o que celebrámos no Natal e na Páscoa.

Põe em evidência a primazia do Domingo cristão.

Oferece-nos a escola permanente da Palavra de Deus e faz-nos descobrir a graça do comum: a vida quotidiana vivida também como tempo da salvação.

 

O Tempo Comum não é o “tempo pobre” da Igreja. Muito pelo contrário. É o tempo onde, depois de nos termos fortalecido durante os “tempos fortes” de conversão e de festa, somos chamados a ser discípulos. Somos chamados a ir, a anunciar, a ser comunhão, a ser povo; resumindo, a ser Cristão!

 

Iremos cantar “Povo teu somos ó Senhor”, de autor desconhecido, mas datado do século XVI. Este cântico realça a unidade de sermos um povo, de louvarmos e vivermos a nossa fé em comunhão e mostra-nos que ser antiga não faz da boa música obsoleta ou desatualizada.



Cristo Rei

As semanas passam e quase sem darmos conta chegamos à Solenidade de Cristo Rei que encerra o ano litúrgico.

“A festa de Cristo Rei é o último domingo do ano litúrgico, no qual, ano após ano, celebramos o mistério de Cristo, cujo fim será recapitular tudo em Cristo, para que Ele apresente o seu Reino ao Pai, ou seja, a conquista dos corações pelo amor”.

 “Celebrar esta grande festa coloca-nos na opção de seguir Cristo com eficácia, pelo caminho que ele percorreu para reinar com Ele para sempre”.

“Jesus é rei, mas não no estilo dos seres humanos. Ele é rei por amor”.

A liturgia deste dia proclama: “O seu reino é um reino eterno e universal”. É o reino da verdade e da vida, o reino da santidade e da graça, o reino da justiça, do amor e da paz”.

 

Iremos terminar este nosso encontro com o cântico “Jesus Cristo, ontem e hoje” do Padre António Cartageno que tão bem expressa o espírito desta festa.




E assim terminou o concerto! 
Os meus sinceros parabéns a todos os envolvidos neste evento! 
De seguida houve ainda lugar aos agradecimentos da praxe, pelo que assim termino também esta publicação, agradecendo ao Vitor Ferreira pelo convite e disponibilidade, à minha camara-woman de serviço e a quem se deslocou ao local para me apoiar, mesmo que nem sequer tenha conseguido chegar a tempo de ouvir uma única música, finalmente agradeço a quem conseguiu chegar até aqui, voltem mais vezes!...


 

 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sábado Musical

A Bela e o Monstro | O Feitiço Está Lançado

CPCMM @ Concerto Pela Orquestra Clássica da Maia | 250510